Especialista do Hospital Universitário de Lagarto esclarece dúvidas sobre epilepsia e orienta primeiros socorros

A epilepsia é uma condição neurológica que afeta cerca de 65 milhões de pessoas em todo o mundo, de acordo com a Liga Brasileira de Epilepsia (LBE). No Brasil, a estimativa é de que aproximadamente 2% da população seja acometida pela doença.

O neurologista do Hospital Universitário de Lagarto (HUL-UFS), vinculado à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), Gustavo Souto, explica que a epilepsia é uma condição neurológica crônica caracterizada por uma predisposição persistente do cérebro para gerar crises epilépticas.

“Essas crises ocorrem devido a uma atividade elétrica excessiva e anormal dos neurônios. No dia a dia, a manifestação depende de qual região cerebral partiu o estímulo elétrico desordenado”, afirma Gustavo.

Sinais

O especialista esclarece ainda que nem toda crise é convulsiva, ou seja, acompanhada de tremores. Por isso, chama atenção para os diferentes tipos de sinais, como os motores, que envolvem contrações musculares bruscas semelhantes a choques, rigidez corporal ou quedas súbitas, e os não motores, como olhar fixo e vago (crise de ausência), movimentos automáticos (a exemplo de estalar os lábios ou mexer na roupa) e dificuldade de responder a chamados.

Outro sinal possível é a aura, quando algumas pessoas sentem uma espécie de “aviso” antes da crise, como percepção de um cheiro específico, aumento da frequência cardíaca, náusea ou mal-estar gástrico.

Mitos

O neurologista Gustavo Souto também desmistifica crenças populares relacionadas à epilepsia, como a ideia de que a pessoa “enrola a língua” durante uma crise. “Isso é anatomicamente impossível. Tentar segurar a língua pode causar fraturas ou ferimentos graves na mão de quem presta ajuda, assim como na mandíbula de quem sofre a crise”, alerta.

 Outro mito recorrente é o de que a epilepsia seja uma doença mental ou contagiosa. Segundo o especialista do HUL, trata-se de uma doença neurológica, sem qualquer relação com deficiência intelectual e que não é transmitida por toque ou saliva.

Diagnóstico

Em relação ao diagnóstico, o neurologista explica que ele é essencialmente clínico, baseado na história do paciente, mas pode ser complementado por exames como o eletroencefalograma e exames de neuroimagem, a exemplo da tomografia computadorizada ou da ressonância magnética.

 “Cerca de 70% dos pacientes conseguem o controle total das crises com o uso de medicamentos anticonvulsivantes. Para os casos refratários, existem outras opções de tratamento, que devem ser avaliadas junto ao neurologista assistente”, explica.

Primeiros socorros

Gustavo Souto orienta ainda sobre o que fazer e o que evitar nos primeiros socorros durante uma crise convulsiva. As recomendações incluem: manter a calma e cronometrar o tempo da crise; proteger a cabeça da pessoa com algo macio (como uma mochila ou casaco, ou colocando a mão sob a cabeça para evitar impacto com o solo); afastar objetos que possam causar ferimentos; virar a pessoa de lado (posição lateral de segurança), assim que possível, para facilitar a respiração e evitar engasgos com saliva ou vômito; e permanecer ao lado dela até que a consciência retorne completamente.

O neurologista também reforça que não se deve colocar qualquer objeto na boca da pessoa, como dedos, colheres ou panos, não imobilizar nem tentar conter os movimentos, e não jogar água no rosto ou oferecer álcool para cheirar.

“Se a crise durar mais de cinco minutos, se houver uma crise seguida da outra sem recuperação da consciência ou se a pessoa estiver grávida, é fundamental acionar o SAMU pelo telefone 192”, finaliza.

Fonte:HUL-UFS

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